É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura. Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade. (Lucas 1:12-14)

 

É Natal...(é natal?)

As ruas estão enfeitadas. É Natal..

Os shoppings já estão lotados. É Natal…

As empresas aéreas já não aceitam reservas de

passagem. É Natal…

As filas nos correios já estão enormes. É Natal…

Os armários já estão cheios de surpresas. É Natal…

Os corações estão sedentos e sem esperança. É Natal?

Os meninos de rua estão cheirando cola. É Natal?

Os adolescentes estão se drogando. É Natal?

Os papais estão desempregados. É Natal?

A igreja está quieta e conformada. É Natal?

(Pr. Marcelo Gualberto da Silva - Diretor Nacional da MPC)

Muitas pessoas comemoram o natal sem nenhuma reflexão do seu real significado, na verdade em muitos lares o Cristo não é nem citado. Fico então perguntar: a festa de natal é feita para quem e para que??? Para a família, os amigos, para vestir uma roupa nova, para comer bem, etc? Onde fica Jesus Cristo em meio a tantas cores, luzes, presentes, bebidas e comidas, Papai Noel, confraternizações, consumismo, etc? Gostaria muito de saber porque a pessoa mais importante desta celebração é com tanta freqüência esquecida. Talvez as luzes dos piscas-piscas ofusquem muitos de vê-lo.

Creio que a primeira reflexão a ser feita para entendermos o sentido do natal é: POR QUE CRISTO VEIO? Por que Deus teve que se encarnar em semelhança de homem e vir ao mundo? Algumas pessoas nunca se perguntaram sobre isso, outras acham que a resposta não tem tanta importância, afinal ser cristão ou vir para igreja é muitas vezes só um meio de se sentir bem, cantar louvores, encontrar amigos, etc. Mas este mês estamos celebrando o nascimento do Cristo, a encarnação de Deus e muitas vezes nem sabemos porque e nem para que Ele nasceu. Entre os muitos motivos que poderíamos aqui citar quanto a razão de Seu nascimento, quero enfatizar apenas três.

Primeiro, Jesus veio cumprir as promessas de Deus (AT). Após a queda do homem, narrada em gêneses, Deus fez uma promessa a Adão e Eva: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.(Gn. 3:15)

A partir daí Deus faz uma série de promessas a respeito do Messias, do Cristo – “O ungido” – que foram todas cumpridas da vida de Jesus.

Em gênesis 3:15 – nascido da semente da mulher

Em Isaías 7:14 – nascido de uma virgem

Em Miquéias 5:2 – nascido em Belém

Em Jeremias 31:15 – matança dos inocentes

Em Oséias 11:1 – fuga para o Egito

Em Isaías 9:1-2 – ministério na Galileia

Em Isaías 61:1-2 – veio para curar os quebrantados

Em Isaías 53:3 – rejeitado pelos seus

Em Salmo 110:4 – segundo a ordem de Melquisedeque

Em Zacarias 9:9 – entrada triunfal

Segundo, Ele veio revelar o Pai. Até então Deus é revelado como criador e Governador; Cristo completou a revelação acrescentando Deus como Pai como em João 14:9 – “Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai”. Jesus ensinou que o próprio Pai nos ama, sabe o que necessitamos antes mesmo que peçamos e que todos podem se tornar Seus filhos. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos”. (IJo. 3:1a )

Terceiro, Ele veio para aniquilar o pecado. É claramente mostrado que Deus precisava tornar-se homem para morrer em favor da humanidade. E é justamente através da Sua morte e ressurreição que:

Nos tornamos filhos de Deus (Propiciação): propiciar alguém significa apaziguar ou pacificar a sua ira. A propiciação é necessária porque o pecado provoca a ira de Deus; diante do nosso pecado o próprio Deus toma a iniciativa apresentando a Jesus como sacrifício propiciatório, oferecendo-se a si mesmo. Desta forma o castigo que estava sobre mim foi retirado, o próprio Cristo sofreu a morte eterna em nosso lugar podendo finalmente vencê-la. Deixamos de ser filhos da ira para nos tornar Filhos de Deus. Ef. 2:3-5 – “entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus”.

Nos tornamos povo de Deus (Redenção): redimir significa comprar de volta. A redenção vai se centralizar na situação de pecado da humanidade que foi resgatada pela cruz de Cristo e este resgate exigiu o pagamento de um preço: o sangue – como em Hb 9:22 diz: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão”. Desta forma nos tornamos não somente filhos de Deus, mas também propriedade exclusiva de Deus. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” – IPe.2:9 . Nos tornamos assim o Seu povo.

Somos perdoados (Justificação): justificação é o oposto da condenação. Logo a justificação significa que somos perdoados, aceitos, certos com Deus; não por nosso mérito, mas porque Cristo nos justificou mediante a Sua morte, através da Sua maravilhosa graça. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.” – Gl. 2:16.

Temos livre acesso a Deus (Reconciliação): reconciliar significa restaurar um relacionamento, renovar uma amizade. Logo algo inicialmente foi quebrado, através do pecado, e foi recuperado por Cristo a fim de nos conduzirmos a Deus; a barreira que nos impossibilitava ter um relacionamento com Deus foi quebrada. Sendo assim, Cristo nos reconcilia, ou seja, restaura o relacionamento entre a humanidade caída e Deus. Ef. 2:13-16 – “Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longes, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade”; Desta forma nos possuímos livre acesso a Deus, sem mediadores.

Logo, a encarnação do Verbo, Jesus Cristo, não foi um acidente de percurso, algo não previsto por Deus; nem nasceu para ser simplesmente um mártir, como dizem alguns, nem Jesus ficou preso a uma manjedoura indefeso, coitadinho, um bibelô de penteadeira. Mas o Seu nascimento foi pré-determinado por Deus antes da fundação do mundo, Sua vinda tinha um propósito sacrifical em favor da humanidade, um propósito expiatório e substuitiva pelo mundo.

Que neste Natal você e eu possamos fazer uma reflexão diferente, deixando um pouco de lado o consumismo, o glamour, que nos rodeiam nesta época e que possamos ver aquele menininho na manjedoura de forma diferente. Aquele menino na manjedoura nasceu com um propósito, Ele cresceu, não parou ali no tempo, tornou-se homem para morrer por mim e você, em favor da humanidade, para que hoje você possa ser um filho de Deus, fazendo parte do Seu povo, recebendo o perdão dos Seus pecados tornando-se santo, separado para Deus, tendo livre acesso a Sua maravilhosa presença.

Que esse projeto marilhoso de Deus possa estar levando a mim e a você a refletir que tipo de cristianismo estamos levando e que possamos lembrar e proclamar: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. – Is. 9:6

FELIZ NATAL!!!