Texto: Rm. 8:28-39

Vivemos em um contexto evangélico meio maluco. Maluco porque pecebo que quanto mais Deus se esforça para demostrar sua Graça e seu amor para conosco, nós queremos provar a Ele que é por nossos esforços que temos o mérito de sermos alvo do Seu amor. Quanto mais Deus deseja nos chamar de amigos, nós insistimos em agir como servos. Queremos a todo custo (campanhas, votos, sacrifícios, jejuns, etc) provar que é através dos nossos méritos que conquistamos o amor de Deus e somos assim salvos.

O texto em Romanos nos mostra que nada, absolutamente nada, pode nos separa do amor de Deus. Nada que está externo a nós, pode perturbar o nosso relacionamento gracioso com Ele. “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina” (Mt. 15:11); ou seja não é o que está e acontece a minha volta que atrapalha minha comunhão com Deus, mas é o que acontece em meu coração, na minha mente, com os meus sentimentos – é como eu encaro os problemas a minha volta. Não são os problemas em si que nos fazem sentir afastados de Deus e de seu amor, e sim a postura que tomamos diante desses problemas.

1. TRIBULAÇÃO, ANGÚSTIA, OU PERSEGUIÇÃO NÃO PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS

Tribulação significa literalmete ato de prensar, imprensar, pressão, contudo esse texto a utiliza de modo metaforico para os nossos dilemas; angustia siginifica terrível calamidade, extrema aflição; perseguição é a sensação de nos sentirmos afligidos, incomodados, importunados, aprisionados, ou ainda castigados. Observe que estas três palavras estão no versículo em uma seqüência lógica e progressiva.

Primeiramente os problemas chegam até nós e nos deixam em uma situação difícil, embaraçosa, sem sabermos como agir; diante deste problema complicado de resolver temos muitas vezes a sensação estarmos passando por uma terrível calamidade, surge então a angustia, que gera em nós o sentimento de perseguição, ou seja, de estarmos vivendo aprisionados, ou ainda de achar que estamos sendo castigados por algo (lembra dos amigos de Jó).

Contudo, a palavra de Deus nos afirma que problema (dilema) algum, por mais terrivel que possa parecer, pode tirar minha comunhão com Deus ao ponto de separar-me do seu incondicional amor. Pelo contrário, a bíblia nos ensina que devemos nos gloriar “nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm. 5:3-5). Paulo ainda ensina: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros; não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (12:10-12).

Portanto, podemos ter a confianças que nos problemas e dilemas, que são muitos, em nossas vidas, temos um Deus amoroso que não nos abandona e esta disposto a caminhar conosco em nosssos problemas. TRIBULAÇÃO, ANGÚSTIA, OU PERSEGUIÇÃO NÃO PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS

2. FOME, NUDEZ, PERIGO, OU ESPADA NÃO PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS

Vivemos em um mundo em que, somente no Brasil cerca de 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e passam fome e vivem em estado de miséria. Nunca se ouviu falar tanto em terremotos, enchentes, aquecimento global, sem falar da violência que nos assombra. Parece que estamos vivendo o que Jesus chamou lá no evangelho de Mateus, capítulo 24: o princípio das dores.

Contudo o texto do cap´tulo 8 da carta aos Romanos, nos garante que essas coisas não tem o poder de nos separar de Deus, de nos privar do Seu infinito amor e da Sua eterna graça. Nesses momentos onde parece que Deus está distante de nós, e abandonou este mundo a sua própria sorte, é que devemos nos lembrar da sua promessa em que estaria “convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt. 28:20).

O amor de Deus por nós não pode ser medido pela maldade humana para com meio ambiente e para com seu próximo; o amor de Deus se revela e é provado a nós na pessoa de Cristo pelo fato dele ter morrido por nós, quando éramos ainda pecadores (Rm. 5:8).

É o profeta Habacuque que afirma no capítulo 3 que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na videira; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos” (v.17-19); ou ainda Jó que no meio de toda a sua miséria grita: “eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). ou seja, Senhor, ainda que eu tenha fome, ou que as catastrofes da vida tire os meus bens, eu creio no teu amor e na tua salvação e sei que Tú, ó Deus, será a minha foça porque FOME, NUDEZ, PERIGO, OU ESPADA NÃO PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS.

3. NEM ANJOS, NEM PRINCIPADOS, NEM POTESTADES PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS

Tem muita gente, principalmente no universo evangelico, que acha que os demônios, ou qualquer outra entidade espiritual, pode nos deixar em uma situação de pecado, ou seja, afastados de Deus e do seu amor. Ouvimos muito: cuidado para não dar brecha para o diabo e seus demônios. Contudo, esquecemos que temos um Pai que é maior do que tudo e todos; maior que qualquer manifestação do mal. Esse Deus de amor nos afirma na Sua palavra que as ovelhas do seu rebanho ouvem a voz do seu pastor, e ele as conheçe, e elas o seguem e diz mais: “eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (Jo 10:27-29).

Ninguém pode nos separar do amor de Deus, NEM ANJOS, NEM PRINCIPADOS, NEM POTESTADES, porque temos um Pai que é maior do que todos e nos guarda na conha da Sua mão.

4. NEM ALGUMA OUTRA CRIATURA PODE SEPARAR DO AMOR DE DEUS

Quando iniciei meus primeiros passos na igreja fui ensinada a retirar de casa uma série de objetos, musicas, livros, entre muitas outras coisas, porque estes objetos poderiam trazer maldição para minha casa e minha família, separando-me de Deus; como se objetos tivessem poderes mágicos.

Ora, assim como acreditamos que não existem objetos para fazer o bem, ou que nos protejam, o que o povo popularmente chama de amuletos (pé de coelho, trevos, arruda, figas, etc), também não devemos acreditar que existem objetos para fazer o mal, ou com capacidade de me amaldiçoar. Sabe por que? Por que a Palavra de Deus nos garante que o que Senhor abençoa, ninguém pode amaldiçoar, nem com palavras, nem com objetos, contra os filhos de Deus não há encantamento, nem adivinhação (Nm. 23:23).

Balaão, filho de Beor e natural de Petor, foi procurado por Balaque, rei de Moabe, para amaldiçoar a Israel (Nm 22), mas Deus o proibiu de fazê-lo (v. 9-12). Procurado mais uma vez pelos mensageiros de Balaque, que trouxeram mais honras do que antes, Balaão insiste com Deus que o ordena a ir (v. 15-20). Por três vezes ele tentou amaldiçoar Israel, mas somente conseguira abençoar (Nm 23,24). Por esse motivo, ao invés de proferir maldições, Balaão instruiu Balaque para que colocasse tropeços no caminho dos hebreus, por meio da corrupção moral (Nm 31:16).

CONCLUSÃO: NADA, EXTERNO A NÓS, PODE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS, SÓ NÓS MESMOS

A única coisa que pode nos separar de Deus é o pecado. Pecado aqui é tudo que agride a vida! É por isso que Deus pede que amemos nosso irmão, cuidemos do orfão e da viúva, que cuidemos deste mundo que geme “em dores de parto”. E é por isso também que nos congregamos, vivemos em comunidade para aprendermos a servir uns aos outros. Quando falhamos no serviço ao próximo é que falhamos diante de Deus.

Não existe nada externo a nós que possa nos separar do amor de Deus, e é nos momentos mais difíceis da nossa vida, é nos dilemas, dúvidas, catastrofes, nos momentos em que achamos que Deus virou as costas para nós, que Ele se faz mais presente, fazendo valer a palavra do apóstolo Paulo “quando estou fraco, é que sou forte”.

“Uma noite eu tive um sonho…

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através  do céu, passavam cenas da minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso me aborreceu deveras  e perguntei então ao Senhor:

– Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor me respondeu:

– Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços”.

(Do livro “Pegadas na areia” – Margareth Fishback Powers – Ed.Fundamento)