A terceira linha de pesquisa proposta pelo CEPESC, “protestantismo e candomblé” se constitui como um desafio, diante de uma violência simbólica responsável por atos de intolerância de diversas naturezas.

As relações entre o protestantismo e o candomblé são complexas, especialmente em sua vivência prática. Afastamento, antagonismo, intolerância, marcam a maior parte das posturas dos grupos protestantes, encontrando-se, porém, mesmo que raramente, atitudes dialogais.

O candomblé no Brasil se caracterizou como religião de resistência da cultura negra, fortalecendo-se gradativamente, em uma forçada clandestinidade, até ser admitida como expressão legítima de religiosidade do povo, tanto quanto as religiões cristãs e todas as outras religiões.

Por outro lado, ainda é generalizado o preconceito que concebe o candomblé, junto com outras religiões de matriz africana e indígena, como forma inferior “primitiva” de culto, sendo a demonização dos orixás um exemplo desse tipo de atitude.

Um olhar não preconceituoso pode enxergar bondade e beleza, ali onde se espera sempre conflito e ambigüidade. O sofrimento causado pela intolerância religiosa nos convida a rever atitudes. Tolerância e respeito são desejáveis urgentemente, mas insuficientes para dar conta da totalidade do fenômeno do qual nos acercamos.

A celebração do outro é o caminho para admitir que a alteridade não ameaça a minha identidade, mas é condição e possibilidade da mesma. A festa da humanidade precisa das diferenças para continuar sendo festa.

Pr. Marcos Monteiro

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