Cansei de tentar consertar o que julgava ser “errado”, de tentar consertar as coisas, de tentar ser perfeita, falar somente aquilo que é apropriado, encobrir defeitos, disfarçar descontentamentos, querer que as pessoas sejam éticas e correspondam a minha expectativa, pois a verdade é que ninguém muda. As pessoas, eu, você são o que são.

Não quero ser nem muito justa, muito menos muito sábia… Esse tipo de desejo pode destruir uma pessoa. Assim como não quero ser também uma errante, muito menos tida como doida, pois isso também não trás proveito algum. Quero aceitar o ser humano com seus defeitos e virtudes, suas ‘maquiavelices’ e sua ingenuidade. Pois o que realmente importa é viver bem. Que venhamos a sentir alegria com o que fazemos e com quem nos relacionamos.

Creio que este cansaço me sobreveio no tempo certo! Tudo tem um tempo para a gente compreender melhor as coisas a nossa volta. Todos nós nascemos e morremos, matamos experiências difíceis de nossas vidas e nos curamos delas, choramos e ficamos alegres, ganhamos e perdemos. Tudo acontece igualmente a todos.

Falamos muitas coisas, mas tem época que o silêncio é a melhor resposta. Amamos loucamente uma pessoa e pouco tempo depois a odiamos profundamente. Tem época que fazemos confusão por tudo, mas existe período que preferimos levantar a bandeira da paz. Ou seja, no final das contas, somos todos iguais, bons, ou maus, crentes ou incrédulos, brancos ou pretos, jovens ou velhos, homem ou mulher. E o nosso fim é virar poeira e retornar ao ecossistema…

Meu desejo então é me aproximar de Deus mais sensível a Sua voz, inclinar-me diante a Sua presença a fim de aprender a ser mais parecida com Jesus de Nazaré; não pretendo mais fazer sacrifícios tolos, como se isto O sensibilizasse de alguma forma… Quero aprender adora-lO no silêncio, pois palavra alguma é capaz de traduzir minha devoção. Desejo perceber Deus no meu dia-a-dia, seja no comer e beber, seja no meu trabalho, seja no ócio, pois esta é a maior bênção que Ele reservou para mim.

Aprender a ficar perto dos que sofrem, dos que não possuem reconhecimento algum, dos que passam despercebido pela sociedade. Não tenho mais desejos de estar com os que sorriem somente para agradar, dos que me dão tapinha nas costas, nos ‘banquetes’ onde todos fingem ser meus amigos. Desejo repartir o pouco que tenho com os que precisam e os que desejam receber algo de mim. Quero plantar sem esperar colher, de modo quase que despretensioso.

Em fim, quero desfrutar do amor, graça e misericórdia de Deus enquanto ainda sou jovem e tenho vigor para construir o Reino Deus entre nós.

Cláudia Sales