Quem não lembra das clássicas revistas em quadrinho da Luluzinha? Passei boa parte da minha infância me deliciando nas aventuras dessa turma, cujo tema principal era a relação conflituosa entre meninos e meninas! Os meninos reuniam-se sempre em um clubinho feito de madeira que tinha na porta a inscrição: MENINA NÃO ENTRA! Por sua vez, as meninas faziam mil planos para driblar a regra e finalmente descobrir o que de tão especial os meninos faziam juntos.


Pois é… Com o tempo descobri que o Clube do Bolinha é uma metáfora bem humorada do cotidiano de mulheres que dia a dia tentam entrar em espaços historicamente ditos como masculino, seja nas profissões, ou nas ciências, seja em casa, ou na igreja. O Clube do Bolinha continua mais vivo do que nunca! Disfarçado, é claro, com uma fachada bonita e uma decoração agradável, mas na hora de fazer a carteirinha e virar sócia do clube… Começa a burocracia. E, como não poderia deixar de ser, a teologia é um desses clubes. Acho que um dos obstáculos para que a teologia continue sendo tão excludente para as mulheres é a igreja, e quando me refiro à igreja estou falando da instituição.

 

Quando eu era pequena e participava ativamente da igreja católica, eu nunca entendia porque as freiras não podiam celebrar missas como os padres… E por mais que me explicassem não tinha jeito, eu não “engolia”. Aí, na juventude entrei para a igreja evangélica, que num primeiro momento parecia diferente… Parecia… Eu não vou me deter àquelas instituições que afirmam categoricamente que não aceitam mulheres pregando, ou ensinando (a não ser para crianças, ou outras mulheres), até porque não tenho nem o que dizer, uma vez que não cheguei a ser membro de uma igreja assim. Irei falar daquelas que se acham moderninhas e que possuem um discurso de igualdade entre homens e mulheres.


Observando essas igrejas percebi que a lógica não era muito diferente, tendo seus trabalhos e ministérios muito bem divididos por gênero. As mulheres ou são líderes da oração, ou do ministério infantil, ou ainda do grupo de louvor; algumas conseguem ser diaconisas, outras pouquíssimas presbíteras e raramente conseguem ser reconhecidas como pastoras. Lembro-me de certa vez que chamaram o Geraldo para pregar em uma dessas igrejas, o pastor de pronto perguntou: “A Claudinha canta?” Não que eu não saiba cantar, até que me acho jeitosinha, mas recusei de imediato tal proposta percebendo no convite reminiscências do Clube do Bolinha eclesial! Tal pastor nunca me convidara para pregar… Em outra ocasião, quando eu dizia ser presbítera e dirigente de uma congregação (atualmente não sou mais dirigente), um senhor me perguntou: “Ahhh! Você é presbítera porque seu marido é pastor?” Fala sério? Contei até dez antes de responder tamanha incompreensão! Por acaso minha vocação teria que estar, necessariamente, atrelada à sombra de meu marido??? São as lógicas e ranços do Clube do Bolinha…

 

Nos seminários teológicos, não muda muita coisa. As mulheres quase nunca são diretoras e poucas são as professoras que geralmente ministram as aulas de produção textual, psicologia, missões e raramente ministram as disciplinas de teologia sistemática, teologia pastoral, história da teologia. Um dia desses fui à inauguração de um novo seminário teológico em Fortaleza, que tinha como propaganda renovar a discussão teológica, com uma proposta atual, crítica, e blá, blá, blá… Fiquei feliz em ver que à frente estavam duas pessoas reconhecidamente de vanguarda, com reflexões que contemplam as questões de gênero. Contudo, me surpreendi ao ver o núcleo gestor: só homens; e o corpo docente? Adivinhem? Não tinha nenhuma mulher!!! Se depender do grupo que eu vi naquela noite já sei que a tradição e a ortodoxia estarão muito bem representadas!

 

Na área da reflexão teológica, não é diferente. Curiosamente, durante meu curso de teologia eu nunca tive a indicação para que lesse um texto, ou livro escrito por mulheres; na teologia sistemática então nem pensar! Minhas aulas de teologia pastoral quando se referiam às mulheres era de como elas deveriam ser boas esposas. Na história da teologia não me lembro de nenhum nome feminino… E mesmo numa busca na internet é difícil achar um nome… E quando elas aparecem você percebe nitidamente a distinção entre os assuntos masculinos e os assuntos femininos. Homens falam sobre hermenêutica, filosofia, escatologia, eclesiologia, debatem sobre a ação de Deus, sobre a humanidade e divindade de Jesus, etc. As mulheres, por sua vez fazem devocionais, escrevem sobre educação infantil, oração, casamento, filhos, gênero…

 

Não falo isso depreciando, ou tentando hierarquizar algumas funções dentro da igreja, ou para diminuir o valor de certas disciplinas, ou assuntos… Apenas constato esse fato! Acredito que tudo é igualmente importante. Mas a questão é: e aquelas que sentem e desejam desempenhar a vocação pastoral? Que gostam de pregar? Aquelas que querem atuar na academia? Qual é o espaço concreto que existem para elas? Será que de fato meninas entram? Pois, do modo com que as mulheres foram retratadas até parece que elas não tiveram participação na história da igreja e na construção da reflexão teológica. Mas isso é um engano, pois algumas dessas mulheres conseguiram ultrapassar todas as barreiras existentes e produziram uma obra consistente, embora as igrejas e seminários, em sua grande maioria, ainda não reconheçam tais produções tornando-as invisíveis num primeiro olhar.

 

A teóloga Rosalee Velloso (professora de teologia e ética bíblica na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina) em uma entrevista para a revista Defesa da Fé relatou que apesar da resistência à presença da mulher no altar e das pouquíssimas mulheres com formação acadêmica em teologia, elas participaram ativamente da história da igreja e da reflexão teológica (lembrando que elas são exceção e não a regra), destacando principalmente na tradição católica grandes nomes como Teresa de Jesus e Catarina de Siena, durante a Idade Média, e outras como Catherine Mowry LaCugna e Elizabeth Johnson, no século XX; e na tradição protestante Elizabeth Barnes, Gabriele Greggersen e Carmen Pérez de Camargo. Contudo, ainda posso destacar:


  • Frida Vingren: missionária da Assembléia de Deus que desenvolveu atividades evangelísticas e abriu frentes de trabalho em muitos lugares no Rio de Janeiro. Possuía o dom de ensinar, trabalhava na obra social da igreja, bem como nos grupos de oração e de visitas. Na ausência do marido, era ela que o substituía pregando e dirigindo os trabalhos. Foi motivo de crítica por parte de alguns, mas nunca se intimidou sendo a dirigente oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e, pela facilidade que tinha para se expressar, pregava em todos os pontos de pregação da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, em praças e jardins. Os cultos ao ar livre promovidos no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central eram dirigidos por ela.

  • Ivone Gebara: doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Ela lecionou durante 17 anos no Instituto de Teologia do Recife, até sua dissolução, decretada pelo Vaticano, em 1989. Atualmente, vive e escreve em Camaragibe, Pernambuco. Percorre o Brasil e diferentes partes do mundo, ministrando cursos, proferindo palestras sobre hermenêutica feminista, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos do discurso religioso. Tem vários livros e artigos publicados em português, espanhol, francês e inglês, entre eles As Incômodas filhas de Eva na Igreja da América Latina e Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal.

  • Elma Georgia Harkness: teóloga de tradição metodista, uma das primeiras mulheres a ensinar teologia em um seminário, e se tornar uma figura de liderança no movimento ecumênico moderno, importante no movimento para obter a ordenação de mulheres no Metodismo Americano. Seus interesses teológicos eram em torno da influência da igreja ecumênica e escatologia, além de questionar a doutrina do pecado original, dizendo que “quanto mais cedo ela desaparecer, melhor será para a teologia.”.

  • Marcella María Althaus-Reid: teóloga escritora argentina, catedrática de Teologia Contextual e docente sênior de Teologia Sistemática e Ética Cristã da Escola de Teologia do New College, Universidade de Edimburgo. Foi a única mulher a lecionar Teologia numa universidade escocesa e a primeira mulher a ensinar Teologia no New College em seus 160 anos de história. Participou dos movimentos feministas e de LGBT. Suas áreas de interesses são: Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia Homossexual.

 

Alguns que estão lendo este texto podem estar pensando com seus botões: Onde ela quer chegar? Ser pastora? Ter um cargo? Dirigir um seminário? Revolucionar a teologia??? E antes que me perguntem, eu já respondo: NÃO! Não tenho (de verdade) pretensão nenhuma em galgar qualquer coisa que seja em uma instituição religiosa! Gosto do termo “teóloga leiga”! O que eu gostaria de ver mesmo era uma abertura concreta para as mulheres, pois o que eu vejo é um faz-de-conta bem orquestrado! Ordenação de mulheres a cada dez anos, só pra dizer que aceitam pastoras… Eventos organizados somente por homens que chamam uma, no máximo duas mulheres para ministrarem palestras também só pra dizer que estão atentos às questões de gênero… Até quando maquiaremos esta realidade? Até quando faremos perdurar esse machismo institucional, por vezes velado? Até quando não encararemos com sinceridade e seriedade as questões de gênero, com o devido respeito às mulheres?

 

São indagações que não calam…

 

Cláudia Sales

“Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”. (Virgínia Woolf)

 

 

Quem não lembra das clássicas revistas em quadrinho da Luluzinha? Passei boa parte da minha infância me deliciando nas aventuras dessa turma, cujo tema principal era a relação conflituosa entre meninos e meninas! Os meninos reuniam-se sempre em um clubinho feito de madeira que tinha na porta a inscrição: MENINA NÃO ENTRA! Por sua vez, as meninas faziam mil planos para driblar a regra e finalmente descobrir o que de tão especial os meninos faziam juntos.

 

Pois é… Com o tempo descobri que o Clube do Bolinha é uma metáfora bem humorada do cotidiano de mulheres que dia a dia tentam entrar em espaços historicamente ditos como masculino, seja nas profissões, ou nas ciências, seja em casa, ou na igreja. O Clube do Bolinha continua mais vivo do que nunca! Disfarçado, é claro, com uma fachada bonita e uma decoração agradável, mas na hora de fazer a carteirinha e virar sócia do clube… Começa a burocracia. E, como não poderia deixar de ser, a teologia é um desses clubes. Acho que um dos obstáculos para que a teologia continue sendo tão excludente para as mulheres é a igreja, e quando me refiro à igreja estou falando da instituição.

 

Quando eu era pequena e participava ativamente da igreja católica, eu nunca entendia porque as freiras não podiam celebrar missas como os padres… E por mais que me explicassem não tinha jeito, eu não “engolia”. Aí, na juventude entrei para a igreja evangélica, que num primeiro momento parecia diferente… Parecia… Eu não vou me deter àquelas instituições que afirmam categoricamente que não aceitam mulheres pregando, ou ensinando (a não ser para crianças, ou outras mulheres), até porque não tenho nem o que dizer, uma vez que não cheguei a ser membro de uma igreja assim. Irei falar daquelas que se acham moderninhas e que possuem um discurso de igualdade de gênero.

 

Observando essas igrejas percebi que a lógica não era muito diferente, tendo seus trabalhos e ministérios muito bem divididos por gênero. As mulheres ou são líderes da oração, ou do ministério infantil, ou ainda do grupo de louvor; algumas conseguem ser diaconisas, outras pouquíssimas presbíteras e raramente conseguem ser reconhecidas como pastoras. Lembro-me de certa vez que chamaram o Geraldo para pregar em uma dessas igrejas, o pastor de pronto perguntou: “A Claudinha canta?” Não que eu não saiba cantar, até que me acho jeitosinha, mas recusei de imediato tal proposta percebendo no convite reminiscências do Clube do Bolinha eclesial! Tal pastor nunca me convidara para pregar… Em outra ocasião, quando eu dizia ser presbítera e dirigente de uma congregação (atualmente não sou mais dirigente), um senhor me perguntou: “Ahhh! Você é presbítera porque seu marido é pastor?” Fala sério? Contei até dez antes de responder tamanha incompreensão! Por acaso minha vocação teria que estar, necessariamente, atrelada à sombra de meu marido??? São as lógicas e ranços do Clube do Bolinha…

 

Nos seminários teológicos, não muda muita coisa. As mulheres quase nunca são diretoras e poucas são as professoras que geralmente ministram as aulas de produção textual, psicologia, missões e raramente ministram as disciplinas de teologia sistemática, teologia pastoral, história da teologia. Um dia desses fui à inauguração de um novo seminário teológico em Fortaleza, que tinha como propaganda renovar a discussão teológica, com uma proposta atual, crítica, e blá, blá, blá… Fiquei feliz em ver que à frente estavam duas pessoas reconhecidamente de vanguarda, com reflexões que contemplam as questões de gênero. Contudo, me surpreendi ao ver o núcleo gestor: só homens; e o corpo docente? Adivinhem? Não tinha nenhuma mulher!!! Se depender do grupo que eu vi naquela noite já sei que a tradição e a ortodoxia estarão muito bem representadas!

 

Na área da reflexão teológica, não é diferente. Curiosamente, durante meu curso de teologia eu nunca tive a indicação para que lesse um texto, ou livro escrito por mulheres; na teologia sistemática então nem pensar! Minhas aulas de teologia pastoral quando se referiam às mulheres era de como elas deveriam ser boas esposas. Na história da teologia não me lembro de nenhum nome feminino… E mesmo numa busca na internet é difícil achar um nome… E quando elas aparecem você percebe nitidamente a distinção entre os assuntos masculinos e os assuntos femininos. Homens falam sobre hermenêutica, filosofia, escatologia, eclesiologia, debatem sobre a ação de Deus, sobre a humanidade e divindade de Jesus, etc. As mulheres, por sua vez fazem devocionais, escrevem sobre educação infantil, oração, casamento, filhos, gênero…

 

Não falo isso depreciando, ou tentando hierarquizar algumas funções dentro da igreja, ou para diminuir o valor de certas disciplinas, ou assuntos… Apenas constato esse fato! Acredito que tudo é igualmente importante. Mas a questão é: e aquelas que sentem e desejam desempenhar a vocação pastoral? Que gostam de pregar? Aquelas que querem atuar na academia? Qual é o espaço concreto que existem para elas? Será que de fato meninas entram? Pois, do modo com que as mulheres foram retratadas até parece que elas não tiveram participação na história da igreja e na construção da reflexão teológica. Mas isso é um engano, pois algumas dessas mulheres conseguiram ultrapassar todas as barreiras existentes e produziram uma obra consistente, embora as igrejas e seminários, em sua grande maioria, ainda não reconheçam tais produções tornando-as invisíveis num primeiro olhar.

 

A teóloga Rosalee Velloso (professora de teologia e ética bíblica na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina) em uma entrevista para a revista Defesa da Fé relatou que apesar da resistência à presença da mulher no altar e das pouquíssimas mulheres com formação acadêmica em teologia, elas participaram ativamente da história da igreja e da reflexão teológica (lembrando que elas são exceção e não a regra), destacando principalmente na tradição católica grandes nomes como Teresa de Jesus e Catarina de Siena, durante a Idade Média, e outras como Catherine Mowry LaCugna e Elizabeth Johnson, no século XX; e na tradição protestante Elizabeth Barnes, Gabriele Greggersen e Carmen Pérez de Camargo. Contudo, ainda posso destacar:

 

  • Frida Vingren: missionária da Assembléia de Deus que desenvolveu atividades evangelísticas e abriu frentes de trabalho em muitos lugares no Rio de Janeiro. Possuía o dom de ensinar, trabalhava na obra social da igreja, bem como nos grupos de oração e de visitas. Na ausência do marido, era ela que o substituía pregando e dirigindo os trabalhos. Foi motivo de crítica por parte de alguns, mas nunca se intimidou sendo a dirigente oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e, pela facilidade que tinha para se expressar, pregava em todos os pontos de pregação da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, em praças e jardins. Os cultos ao ar livre promovidos no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central eram dirigidos por ela.

 

  • Ivone Gebara: doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Ela lecionou durante 17 anos no Instituto de Teologia do Recife, até sua dissolução, decretada pelo Vaticano, em 1989. Atualmente, vive e escreve em Camaragibe, Pernambuco. Percorre o Brasil e diferentes partes do mundo, ministrando cursos, proferindo palestras sobre hermenêutica feminista, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos do discurso religioso. Tem vários livros e artigos publicados em português, espanhol, francês e inglês, entre eles As Incômodas filhas de Eva na Igreja da América Latina e Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal.

 

  • Elma Georgia Harkness: teóloga de tradição metodista, uma das primeiras mulheres a ensinar teologia em um seminário, e se tornar uma figura de liderança no movimento ecumênico moderno, importante no movimento para obter a ordenação de mulheres no Metodismo Americano. Seus interesses teológicos eram em torno da influência da igreja ecumênica e escatologia, além de questionar a doutrina do pecado original, dizendo que “quanto mais cedo ela desaparecer, melhor será para a teologia.”.

 

  • Marcella María Althaus-Reid: teóloga escritora argentina, catedrática de Teologia Contextual e docente sênior de Teologia Sistemática e Ética Cristã da Escola de Teologia do New College, Universidade de Edimburgo. Foi a única mulher a lecionar Teologia numa universidade escocesa e a primeira mulher a ensinar Teologia no New College em seus 160 anos de história. Participou dos movimentos feministas e de LGBT. Suas áreas de interesses são: Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia Homossexual.

 

Alguns que estão lendo este texto podem estar pensando com seus botões: Onde ela quer chegar? Ser pastora? Ter um cargo? Dirigir um seminário? Revolucionar a teologia??? E antes que me perguntem, eu já respondo: NÃO! Não tenho (de verdade) pretensão nenhuma em galgar qualquer coisa que seja em uma instituição religiosa! Gosto do termo “teóloga leiga”! O que eu gostaria de ver mesmo era uma abertura concreta para as mulheres, pois o que eu vejo é um faz-de-conta bem orquestrado! Ordenação de mulheres a cada dez anos, só pra dizer que aceitam pastoras… Eventos organizados somente por homens que chamam uma, no máximo duas mulheres para ministrarem palestras também só pra dizer que estão atentos às questões de gênero… Até quando maquiaremos esta realidade? Até quando faremos perdurar esse machismo institucional, por vezes velado? Até quando não encararemos com sinceridade e seriedade as questões de gênero, com o devido respeito às mulheres?

 

São indagações que não calam…

 

Cláudia Sales

 

“Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”. (Virgínia Woolf)