Faz exatamente 13 anos que conheci e me congrego (de alguma forma) na igreja Betesda e naquela época, meados de 1998, eu já escutava de forma encantada o seu discurso de vanguarda e percebia notoriamente as insatisfações dos mais conservadores e a euforia dos mais progressistas. Mas, ainda que dividida entre essas dua alas (ou melhor dizendo, rótulos), existia, mesmo que de forma ilusória, um espírito de unidade e uma tentativa de se construir uma identidade para a Betesda.

Lembro-me bem que, ainda na gestão do nosso querido Allison, essas questões sobre identidade, teologia, poder, fundamentalismos, liberalismos borbulhavam pelos corredores. Claro que não foi do dia para noite que muitas igrejas decidiram que não queriam mais caminhar junto com a Betesda, esse foi um processo lento, mas continuo.

Anos se passaram para que um dos piores traumas para a Instituição Betesda acontecesse de fato. Rachas, “amizades” desfeitas, pessoas magoadas… muita coisa aconteceu. Mas, algo de positivo poderíamos tirar de todo esse processo doloroso: em 2007, pastores e membros, especialmente os da Betesda do Ceará, tiveram uma rica oportunidade de se pronunciarem e escolherem que caminhos gostariam de trilhar.

Em tese, e só em tese mesmo, quem resolvesse ficar na Betesda do Ceará, não estaria simplesmente abraçando as ideias de sua igreja local, ou protegendo os interesses do seu “pequeno vaticano” particular. Quem se propôs a ficar estaria disposto a continuar a andar numa trilha sem volta, um caminho de reflexão que na grande maioria das vezes desagradaria a um público evangélico fundamentalista, conservador, bairrista e preconceituoso.

Um caminho estreito, árduo, que não tem a “glória” das multidões, a aceitação da mesa dos escarnecedores, nem o sucesso financeiro prometidos pelos pseudos televangelistas de plantão. Não seríamos mais chamados para pregar nos grandes eventos gospel, nossos nomes seriam muitas vezes difamados… mas, em contrapartida, esse caminho estaria comprometido com a promoção da justiça e a construção de um mundo melhor hoje, um Reino de Deus que se instaura por intermédio de mãos e pés de carne.

Infelizmente, quando olho hoje para a Betesda do Ceará o que vejo? Visualizo “franquias” fragmentadas e fundamentadas no cada um por si (e Deus por todos?), tentando a todo custo (questão de sobrevivência) aparecer novamente no cenário gospel, querendo “limpar-se” da “queimação de filme” que os afastaram da lógica evangélica (mas que nos trouxeram para mais próximo de Deus e do próximo). Negam assim, uma história de luta e resistência, de reflexão e companheirismo, em prol da lógica capitalista religiosa, do individualismo e do “se vira nos 30”.

Aliás, uma franquia é mais coerente do que temos aqui hoje no cenário da Betesda do Ceará. Porque quem deseja abrir uma franquia, seja ela qual for, no mínimo precisa acreditar no produto que está se propondo representar. Ter confiança na qualidade e respeitar a marca.

Digo tudo isso porque me sinto enlutada. De certa forma, a autonomia das igrejas Betesda do Ceará traz um desligamento da Betesda de São Paulo e o que restará aqui não passará de uma propaganda enganosa da Instituição Betesda, que sempre terá como referência o nome de seu maior representante Ricardo Gondim (mesmo que se tente negar, ou apagar isso).

Ao invés de se juntarem e fortalecerem uns aos outros para persistirem nessa caminhada, que sabíamos que não seria fácil, e que seria estreito, optaram pelo caminho largo, mais fácil e confortável de trilhar, porém, que traz como consequência mais isolamento, segregação, dicotomia entre Sudeste – Nordeste e que joga no lixo toda a luta e história de uma igreja que SEMPRE optou andar na contramão da lógica mercadológica e dogmática evangélica.

Declaro aqui que eu não concordo com esse isolamento “elegante” e decido continuar andando pelo caminho que escolhi em 1998. O caminho da reflexão e rupturas, o caminho da dúvida e das incertezas (pois só assim a fé faz sentido), o caminho mergulhado na Graça de Deus que anuncia o Reino que já está no meio de nós.

Ricardo, conte com meu apoio e carinho. Não continuo caminhando com você apenas pelo que você pensa, diz, ou escreve. Não quero apenas caminhar com sua teologia; quero caminhar com gente como você que erra, acerta, volta, repensa, constrói, desconstrói, perdoa, chora, ri, abraça, beija, ama. A grandiosidade da sua humanidade é o que mais me encanta e me convida a caminhar junto! Não abaixo, nem tão pouco acima, mas ao lado, como uma igual. Sinto-me honrada de fazer parte dessa história chamada Betesda. História essa escrita não com tinta, mas com o sangue e as lágrimas dos que persistem nessa eterna e constante construção.

Grata.

Cláudia Sales

O melhor ainda está por vir”

Inclina os teus ouvidos, ó Senhor, e responde-me, pois sou pobre e necessitada.

Guarda a minha vida, pois sou fiel a ti. Tu és o meu Deus; salva a tua serva que em ti confia!

Misericórdia, Senhor, pois clamo a ti sem cessar.

Alegra o coração da tua serva, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.

Tu és bondoso e perdoador, Senhor, rico em graça para com todos os que te invocam.

Escuta a minha oração, Senhor; atenta para a minha súplica!

No dia da minha angústia clamarei a ti, pois tu me responderás.

Nenhum dos deuses é comparável a ti, Senhor, nenhum deles pode fazer o que tu fazes.

Todas as nações que tu formaste virão e te adorarão, Senhor, glorificarão o teu nome.

Pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos; só tu és Deus!

Ensina-me o teu caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome.

De todo o meu coração te louvarei, Senhor, meu Deus; glorificarei o teu nome para sempre.

Pois grande é o teu amor para comigo; tu me livraste das profundezas do Sheol.

Os arrogantes estão me atacando, ó Deus; um bando de homens cruéis, gente que não faz caso de ti procura tirar-me a vida.

Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, muito paciente, rico em amor e em fidelidade.

Volta-te para mim! Tem misericórdia de mim! Concede a tua força a tua serva e salva o filho da tua serva.

Dá-me um sinal da tua bondade, para que os meus inimigos vejam e sejam humilhados, pois tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

 

12 de junho de 2011.

*Esse texto é uma paráfrase do livro A escola que eu sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir, do escritor Rubem Alves.

Começo esse texto pegando emprestado o aforismo que Rubem Alves repete sempre: ‘Numa terra de fugitivos aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo.’ O autor do aforismo, o poeta T. S. Eliot, coloca a palavra fugitivo no singular, fazendo menção de que este é um ser solitário. Sentimento esse que não era só do poeta, mas de Rubem Alves e meu também. Na maioria das vezes me sinto assim, andando sozinha na direção contrária. Mas, por intermédio de minhas leituras fui descobrindo outro ‘fugitivo’, esse também foi incompreendido quando certa vez  afirmara que “a religião é o ópio do povo”. No entanto, a sua afirmação me causou curiosidade e certa simpatia. Aproximei-me dele e o reconheci. Seu nome era Karl Marx. E embora eu nunca tenha me aprofundado em  seus escritos, sabia que não estava só. De fato existiam e existem outros fugitivos, no plural!

 Quando se fala em religião é quase imediato associá-la à igreja, pois fomos instruídos que a religião e o sentimento religioso são de sua tutela. Daí vem todo o nosso problema. Isso porque nossas igrejas são organizadas segundo o modelo das linhas de montagem. Igrejas são fábricas organizadas para a produção de unidades bio-religiosas móveis portadoras de dons e conhecimentos especiais. Esses dons e conhecimentos são definidos exteriormente pela lei da oferta e procura, numa lógica de mercado. As unidades bio-religiosas móveis que, ao final do processo, não estejam de acordo com tais modelos de mercado são descartadas. É a sua igualdade e homogeneidade de discurso que atesta a qualidade do processo. Não havendo passado no teste de qualidade-igualdade, elas não recebem os certificados de excelência ISO-12.000. As unidades bio-religiosas móveis são aquilo que vulgarmente recebe o nome de ‘religiosos’. Esses podem ser ainda subdivididos em liderança (pastores, padres, presbíteros, dirigentes) e membresia, ou ainda rebanho.

 As linhas de montagem denominadas igrejas se organizam segundo coordenadas espaciais e temporais. As coordenadas espaciais se denominam ‘templo’. As coordenadas temporais se denominam ‘culto’. Dentro dessas unidades espaço-tempo os líderes religiosos realizam o processo de acrescentar sobre a membresia os dons e saberes necessários para crescerem espiritualmente. Depois de passar por esse processo de acréscimos sucessivos – à semelhança do que acontece com os objetos originais na linha de montagem da fábrica – o indivíduo que entrou na linha de montagem chamada igreja perdeu totalmente a visibilidade e se revela, então, como um simples suporte para os dons e saberes que a ele foram acrescentados durante o processo. O membro está, finalmente, formado, isso é, transformado num produto igual a milhares de outros. ISO-12.000: está formado, isto é, de acordo com a forma. É mercadoria espiritual que pode entrar no mercado da fé.

Foi aí que o meu companheiro de direção contrária me perguntou se não seria possível mudar as coisas. Ao me mostrar que essa lógica leva o indivíduo ao suicídio intelectual e a alienação, numa espécie de droga anestésica ludibriante e  viciante, eu precisava abandonar a linha de montagem de fábrica como modelo para a igreja e, andando mais para trás, tomar o modelo da oficina do artesão como exemplo. “O mestre-artesão não determinava como deveria ser o objeto a ser produzido pelo aprendiz. Os aprendizes, todos juntos, iam fazendo cada um a sua coisa. Eles não tinham de reproduzir um objeto ideal escolhido pelo mestre. O mestre estava a serviço dos aprendizes e não os aprendizes a serviço dos mestres. O mestre ficava andando pela oficina, dando uma sugestão aqui, outra ali, mostrando o que não ficara bem, mostrando o que fazer para ficar melhor”. Claro que um modelo assim é bem mais complicado e árduo. Muita coisa para refazer e reformular. Muita coisa para resignificar.

Utimamente são cada vez mais apelativos os esforços para fazer de nossas linhas de montagem, chamadas igrejas, mais otimizadas, compatíveis com uma lei de mercado que possui como referenciais o consumo, o lucro, o individualismo, o apelo midiático e a dissimulação. Mas o que eu gostaria mesmo é de acabar com elas. Sonho com uma igreja retrógrada, artesanal…

Quando vamos a uma igreja sabemos exatamente o que vamos encontrar: um púlpito, onde o líder maior prega para o rebanho, salas de escola bíblica, em cada sala um professor, todos num esforço sobrenatural de ensinar e explicar os conteúdos sagrados e inquestionáveis de uma ortodoxia caduca, e por fim, a membresia e a esta, compete apenas aprender sem questionar, pois isso pode ser visto como uma crise de fé.

Sonho com uma igreja onde o templo e as salas de catecismos são irrelevantes. Não é necessário dízimos, paredes, nem cultos, também não existe necessidade para hierarquias – não existe a relação líder-membro, ou ainda pastor-rebanho. Não existe cultos de ensinamentos, escolas bíblicas, não existe necessidade de separar os neófitos dos doutores da lei. Penso em um lugar onde podemos crescer na Graça e no conhecimento assim: poderíamos formar pequenos grupos com interesse comum por um assunto, reunimo-nos com alguém que de repente possa ter maior leitura sobre esse assunto, dando-nos orientação sobre o que poderíamos ler para debatermos e juntos construirmos um conhecimento que não foi imposto de cima pra baixo e sim emergido do meio da comunidade. Juntos, estabeleceríamos um programa de trabalho. Nessa proposta, não existe aquele que fala e aquele que ouve. Todos são importantes, falam e escutam num processo dialético que possui como referenciais a ética, a estética, o respeito mútuo e a solidariedade. Ao final do programa estabelecido, nos reuniríamos de novo e avaliaríamos o que aprendemos. Se o que aprendemos foi bom, justo e agradável, aquele grupo se dissolve, forma-se um outro para estudar outro assunto.

Sei que vocês devem estar incrédulos. Como é possível uma igreja assim, sem templo, salas, sem líderes, professores e aulas de catecúmenos, dogmática, doutrina, devocionais, em lugares e horas determinadas, de acordo com um programa, linha de montagem? Será que as pessoas podem crescer espiritualmente desse jeito?

Só sei de uma coisa: somente aquilo que é vital é aprendido. Por que será que, a despeito de toda teologia, de todos os apelos que as igrejas tem feito para tornar o mundo cristão, o mundo não se torna um lugar melhor de se viver, um lugar mais justo e solidário? Por que os membros dessas igrejas têm dificuldade de encarnar os valores do Reino em suas vidas (como se o cristianismo fosse uma religião baseada em conceitos e não em uma vida!)? Simples! Porque nas igrejas o ensinado não vai colado à vida. Isso explica o desinteresse da membresia pelos problemas sociais, pela política (a não ser que eu “ganhe algo”), com os direitos civis, etc. Alguns me contestarão dizendo: ‘Mas a minha igreja faz obra social!’ Pergunto: Ela faz a obra social porque compreende os problemas sociais que enfretamos e ama a justiça, ou faz para ganhar um galardão no céu? Quais são as razões reais?

O conhecimento sobre Deus é uma árvore que cresce da vida. Sei que existem igrejas que têm boas intenções, e que se esforçam para que isso aconteça. Mas as suas boas intenções são abortadas porque são obrigadas a cumprir o rito sagrado, ensinar a doutrina correta. Suas pregações são entidades abstratas, prontas, fixas, com uma ordem certa. Ignoram a experiência que o indivíduo está vivendo. Aí tenta-se, inutilmente, produzir vida a partir dos conceitos. Mas não é possível, a partir da mesa de anatomia, fazer viver o cadáver. O que desejo ver nas igrejas é o conhecimento crescendo a partir das experiências vividas pela sua membresia.

Disse, no início desse texto, que queria uma igreja retrógrada. Retrógrado quer dizer ‘que vai para trás’. Quero uma igreja que vá mais para trás das ‘doutrinas’ e ortodoxias abstratamente elaboradas e impostas. Uma igreja que compreenda como os saberes são gerados e nascem. Uma igreja em que o saber vá nascendo das perguntas que o corpo faz. Uma igreja em que o ponto de referência não seja o a ortodoxia oficial a ser ensinada (inutilmente!), mas o corpo que vive, admira, se encanta, se espanta, pergunta, prova, erra, se machuca, brinca. Uma igreja que seja iluminada pelo brilho dos inícios.

Cláudia Sales

Marcos Monteiro*
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O momento apaixonante merece um texto apaixonado, mas somente os poetas tem a habilidade de sugerir vertigem e volúpia pelo entrelaçar das palavras. Como não sou poeta celebro em texto comum a decisão do Supremo de legalizar o legítimo direito dos homossexuais de constituir amor e família. Desses instantes que fazem jus a festa, dança e feriado nacional. Caíram as cercas da praça, mas o povo desacostumado não consegue invadir o espaço para deitar na grama, girar na roda gigante ou dançar ciranda.
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A unanimidade da decisão nos surpreendeu, embora o nosso tribunal maior apenas reconheça um direito já exercido por mais de dez milhões de brasileiros. Maneiras de reconhecer a humanidade de minorias. Ser humano é ir se estabelecendo na diversidade e na inconclusão. Os diversos modos de se amar, a exuberância de uma sexualidade que se estabelece sem respeito a regras e manuais, são expressões legítimas dessas diferenças que transformam a paisagem humana em poesia e beleza.
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Homossexualidade é palavra que tenta definir o indefinível, pretendendo retirar do ser humano parte de sua humanidade. Faz pouco tempo, comemorava em um restaurante um aniversário, na companhia de amigos e amigas, a maioria rotulada como gays, lésbicas, ou palavras semelhantes. A comida e a bebida eram comuns e a conversa girava sobre história, poesia, literatura, futebol, religião, sexo. Cardápio variado de comida e de conversa, duas coisas do cotidiano de todos os seres humanos.
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Ter direito ao pão de cada dia garante a sobrevivência, o direito ao sexo de todo dia ou de vez em quando transforma a sobrevivência em poema. O sexo é esse momento de ultrapassar limites, em que o corpo se propõe como lugar de mistério e de arrebatamento. Vivido amorosamente acrescenta à volúpia do carinho a profundidade da doação livre e mútua, entre dois seres humanos livres e disponíveis. O direito legítimo à carícia e ao amor é agora legalizado como pertencente a todo ser humano, sem a necessidade de rótulos.
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Sem as cantigas das comemorações, o ruído dos protestos são feitos em nome da família e da religião. Novamente a questão das definições. Se família significa entre outras coisas o espaço para o crescimento mútuo de seres humanos e para o cuidado e educação de crianças, esses espaços são diversos, com diversos atores atuando em diversos papéis. Crianças criadas por pais ou mães do mesmo sexo não se tornaram necessariamente frustradas, drogadas ou marginais, nem mesmo homossexuais, terror de muitos.
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Alguns religiosos se pronunciaram a favor da união estável mas não do casamento, prerrogativa das igrejas. Na sutileza semântica, a complicação lingüística. Carícias e palavras não podem ser patenteadas, a pretensão apenas convida à continuidade da luta. As religiões e as igrejas não são concessionárias das cerimônias nem proprietárias de Deus. O direito de crer (incluindo o direito de não crer) e o direito de amar são prerrogativas tão humanas quanto o direito de comer e de conversar.
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Para os que pertencem ao campo religioso, como pertenço, a decisão do Supremo é oportunidade de aprofundamento, de busca de compreensão e de ressignificação. Livros, artigos, pesquisas, estudos densos sobre a sexualidade humana já são abundantes. Acima disso, o ser humano concreto, pessoas que vivem amor e sexualidade de modos diversos. Muitos que experimentaram sentimentos de alegria e de libertação quando assumiram a sua maneira de amar; muitos que não se sentem abandonados por Deus. Pelo contrário, diante da maldição de todos, somente contam com o sentimento da compreensão Dele, no espaço indevassável de sua interioridade.
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Diante de tudo isso, podemos assumir vociferantes o papel de arautos da culpa, da vergonha e do remorso, ou celebrarmos a boa notícia (evangelho) da libertação e nos juntarmos à alegria de milhões de brasileiros e brasileiras que se sentiram acolhidos e protegidos pela lei, pela primeira vez na história. Por estranha e feliz coincidência este texto está sendo postado em um novo e diferente treze de maio.
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Feira de Santana, 13 de maio de 2011.
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*Marcos Monteiro é assessor de pesquisa do CEPESC. Mestre em Filosofia, faz parte do colégio pastoral da Comunidade de Jesus em Feira de Santana, BA. Também faz parte das diretorias do Centro de Ética Social Martin Luther King Jr. e da Fraternidade Teológica Latino-Americana do Brasil
CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. E-mail cepesc@bol.com.br, site http://www.cepesc.com.
Fone: (71) 3266-0055.

Fonte: Revista Carta Capital (páginas 70 e 71)

Fiquei surpresa ao entrar hoje no meu twitter e ver tantos posts, oras de elogio, oras de críticas severas, ao pastor Ricardo Gondim. Sem entender direito o que acontecera (pois fiquei fora do ar durante toda Semana Santa), comecei uma busca para saber o que estaria causando tamanha polêmica. Foi quando me deparei com essa entrevista do Ricardo à conhecida revista Carta Capital, onde ele tem a oportunidade de arbordar diversos assuntos, tais como política, união estável, aceitação dos pares, entre outros que definitivamente dividiram opiniões! Eu particularmente ADOREI a entrevista, que vale a pena conferir no link:

http://www.lector.com/Portal/FlipEx/FlipEx.aspx?uId=4UNoc7A0niI%3d&pId=okSTGSB0g4A%3d

Boa leitura!

Cláudia Sales

Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil achei esse acróstico no blo do Paulo Freixinho, inspirado no livro E tu, GOSTAS DE HISTÓRIAS?, de Sílvia Alves e ilustrações de Susana Leite.

Clica na imagem para ampliar, imprime o passatempo e diverte-te!

Fonte: http://palavrascruzadas-paulofreixinho.blogspot.com/2011/04/acrostico-e-tu-gostas-de-historias.html

Quem não lembra das clássicas revistas em quadrinho da Luluzinha? Passei boa parte da minha infância me deliciando nas aventuras dessa turma, cujo tema principal era a relação conflituosa entre meninos e meninas! Os meninos reuniam-se sempre em um clubinho feito de madeira que tinha na porta a inscrição: MENINA NÃO ENTRA! Por sua vez, as meninas faziam mil planos para driblar a regra e finalmente descobrir o que de tão especial os meninos faziam juntos.


Pois é… Com o tempo descobri que o Clube do Bolinha é uma metáfora bem humorada do cotidiano de mulheres que dia a dia tentam entrar em espaços historicamente ditos como masculino, seja nas profissões, ou nas ciências, seja em casa, ou na igreja. O Clube do Bolinha continua mais vivo do que nunca! Disfarçado, é claro, com uma fachada bonita e uma decoração agradável, mas na hora de fazer a carteirinha e virar sócia do clube… Começa a burocracia. E, como não poderia deixar de ser, a teologia é um desses clubes. Acho que um dos obstáculos para que a teologia continue sendo tão excludente para as mulheres é a igreja, e quando me refiro à igreja estou falando da instituição.

 

Quando eu era pequena e participava ativamente da igreja católica, eu nunca entendia porque as freiras não podiam celebrar missas como os padres… E por mais que me explicassem não tinha jeito, eu não “engolia”. Aí, na juventude entrei para a igreja evangélica, que num primeiro momento parecia diferente… Parecia… Eu não vou me deter àquelas instituições que afirmam categoricamente que não aceitam mulheres pregando, ou ensinando (a não ser para crianças, ou outras mulheres), até porque não tenho nem o que dizer, uma vez que não cheguei a ser membro de uma igreja assim. Irei falar daquelas que se acham moderninhas e que possuem um discurso de igualdade entre homens e mulheres.


Observando essas igrejas percebi que a lógica não era muito diferente, tendo seus trabalhos e ministérios muito bem divididos por gênero. As mulheres ou são líderes da oração, ou do ministério infantil, ou ainda do grupo de louvor; algumas conseguem ser diaconisas, outras pouquíssimas presbíteras e raramente conseguem ser reconhecidas como pastoras. Lembro-me de certa vez que chamaram o Geraldo para pregar em uma dessas igrejas, o pastor de pronto perguntou: “A Claudinha canta?” Não que eu não saiba cantar, até que me acho jeitosinha, mas recusei de imediato tal proposta percebendo no convite reminiscências do Clube do Bolinha eclesial! Tal pastor nunca me convidara para pregar… Em outra ocasião, quando eu dizia ser presbítera e dirigente de uma congregação (atualmente não sou mais dirigente), um senhor me perguntou: “Ahhh! Você é presbítera porque seu marido é pastor?” Fala sério? Contei até dez antes de responder tamanha incompreensão! Por acaso minha vocação teria que estar, necessariamente, atrelada à sombra de meu marido??? São as lógicas e ranços do Clube do Bolinha…

 

Nos seminários teológicos, não muda muita coisa. As mulheres quase nunca são diretoras e poucas são as professoras que geralmente ministram as aulas de produção textual, psicologia, missões e raramente ministram as disciplinas de teologia sistemática, teologia pastoral, história da teologia. Um dia desses fui à inauguração de um novo seminário teológico em Fortaleza, que tinha como propaganda renovar a discussão teológica, com uma proposta atual, crítica, e blá, blá, blá… Fiquei feliz em ver que à frente estavam duas pessoas reconhecidamente de vanguarda, com reflexões que contemplam as questões de gênero. Contudo, me surpreendi ao ver o núcleo gestor: só homens; e o corpo docente? Adivinhem? Não tinha nenhuma mulher!!! Se depender do grupo que eu vi naquela noite já sei que a tradição e a ortodoxia estarão muito bem representadas!

 

Na área da reflexão teológica, não é diferente. Curiosamente, durante meu curso de teologia eu nunca tive a indicação para que lesse um texto, ou livro escrito por mulheres; na teologia sistemática então nem pensar! Minhas aulas de teologia pastoral quando se referiam às mulheres era de como elas deveriam ser boas esposas. Na história da teologia não me lembro de nenhum nome feminino… E mesmo numa busca na internet é difícil achar um nome… E quando elas aparecem você percebe nitidamente a distinção entre os assuntos masculinos e os assuntos femininos. Homens falam sobre hermenêutica, filosofia, escatologia, eclesiologia, debatem sobre a ação de Deus, sobre a humanidade e divindade de Jesus, etc. As mulheres, por sua vez fazem devocionais, escrevem sobre educação infantil, oração, casamento, filhos, gênero…

 

Não falo isso depreciando, ou tentando hierarquizar algumas funções dentro da igreja, ou para diminuir o valor de certas disciplinas, ou assuntos… Apenas constato esse fato! Acredito que tudo é igualmente importante. Mas a questão é: e aquelas que sentem e desejam desempenhar a vocação pastoral? Que gostam de pregar? Aquelas que querem atuar na academia? Qual é o espaço concreto que existem para elas? Será que de fato meninas entram? Pois, do modo com que as mulheres foram retratadas até parece que elas não tiveram participação na história da igreja e na construção da reflexão teológica. Mas isso é um engano, pois algumas dessas mulheres conseguiram ultrapassar todas as barreiras existentes e produziram uma obra consistente, embora as igrejas e seminários, em sua grande maioria, ainda não reconheçam tais produções tornando-as invisíveis num primeiro olhar.

 

A teóloga Rosalee Velloso (professora de teologia e ética bíblica na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina) em uma entrevista para a revista Defesa da Fé relatou que apesar da resistência à presença da mulher no altar e das pouquíssimas mulheres com formação acadêmica em teologia, elas participaram ativamente da história da igreja e da reflexão teológica (lembrando que elas são exceção e não a regra), destacando principalmente na tradição católica grandes nomes como Teresa de Jesus e Catarina de Siena, durante a Idade Média, e outras como Catherine Mowry LaCugna e Elizabeth Johnson, no século XX; e na tradição protestante Elizabeth Barnes, Gabriele Greggersen e Carmen Pérez de Camargo. Contudo, ainda posso destacar:


  • Frida Vingren: missionária da Assembléia de Deus que desenvolveu atividades evangelísticas e abriu frentes de trabalho em muitos lugares no Rio de Janeiro. Possuía o dom de ensinar, trabalhava na obra social da igreja, bem como nos grupos de oração e de visitas. Na ausência do marido, era ela que o substituía pregando e dirigindo os trabalhos. Foi motivo de crítica por parte de alguns, mas nunca se intimidou sendo a dirigente oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e, pela facilidade que tinha para se expressar, pregava em todos os pontos de pregação da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, em praças e jardins. Os cultos ao ar livre promovidos no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central eram dirigidos por ela.

  • Ivone Gebara: doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Ela lecionou durante 17 anos no Instituto de Teologia do Recife, até sua dissolução, decretada pelo Vaticano, em 1989. Atualmente, vive e escreve em Camaragibe, Pernambuco. Percorre o Brasil e diferentes partes do mundo, ministrando cursos, proferindo palestras sobre hermenêutica feminista, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos do discurso religioso. Tem vários livros e artigos publicados em português, espanhol, francês e inglês, entre eles As Incômodas filhas de Eva na Igreja da América Latina e Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal.

  • Elma Georgia Harkness: teóloga de tradição metodista, uma das primeiras mulheres a ensinar teologia em um seminário, e se tornar uma figura de liderança no movimento ecumênico moderno, importante no movimento para obter a ordenação de mulheres no Metodismo Americano. Seus interesses teológicos eram em torno da influência da igreja ecumênica e escatologia, além de questionar a doutrina do pecado original, dizendo que “quanto mais cedo ela desaparecer, melhor será para a teologia.”.

  • Marcella María Althaus-Reid: teóloga escritora argentina, catedrática de Teologia Contextual e docente sênior de Teologia Sistemática e Ética Cristã da Escola de Teologia do New College, Universidade de Edimburgo. Foi a única mulher a lecionar Teologia numa universidade escocesa e a primeira mulher a ensinar Teologia no New College em seus 160 anos de história. Participou dos movimentos feministas e de LGBT. Suas áreas de interesses são: Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia Homossexual.

 

Alguns que estão lendo este texto podem estar pensando com seus botões: Onde ela quer chegar? Ser pastora? Ter um cargo? Dirigir um seminário? Revolucionar a teologia??? E antes que me perguntem, eu já respondo: NÃO! Não tenho (de verdade) pretensão nenhuma em galgar qualquer coisa que seja em uma instituição religiosa! Gosto do termo “teóloga leiga”! O que eu gostaria de ver mesmo era uma abertura concreta para as mulheres, pois o que eu vejo é um faz-de-conta bem orquestrado! Ordenação de mulheres a cada dez anos, só pra dizer que aceitam pastoras… Eventos organizados somente por homens que chamam uma, no máximo duas mulheres para ministrarem palestras também só pra dizer que estão atentos às questões de gênero… Até quando maquiaremos esta realidade? Até quando faremos perdurar esse machismo institucional, por vezes velado? Até quando não encararemos com sinceridade e seriedade as questões de gênero, com o devido respeito às mulheres?

 

São indagações que não calam…

 

Cláudia Sales

“Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”. (Virgínia Woolf)

 

 

Quem não lembra das clássicas revistas em quadrinho da Luluzinha? Passei boa parte da minha infância me deliciando nas aventuras dessa turma, cujo tema principal era a relação conflituosa entre meninos e meninas! Os meninos reuniam-se sempre em um clubinho feito de madeira que tinha na porta a inscrição: MENINA NÃO ENTRA! Por sua vez, as meninas faziam mil planos para driblar a regra e finalmente descobrir o que de tão especial os meninos faziam juntos.

 

Pois é… Com o tempo descobri que o Clube do Bolinha é uma metáfora bem humorada do cotidiano de mulheres que dia a dia tentam entrar em espaços historicamente ditos como masculino, seja nas profissões, ou nas ciências, seja em casa, ou na igreja. O Clube do Bolinha continua mais vivo do que nunca! Disfarçado, é claro, com uma fachada bonita e uma decoração agradável, mas na hora de fazer a carteirinha e virar sócia do clube… Começa a burocracia. E, como não poderia deixar de ser, a teologia é um desses clubes. Acho que um dos obstáculos para que a teologia continue sendo tão excludente para as mulheres é a igreja, e quando me refiro à igreja estou falando da instituição.

 

Quando eu era pequena e participava ativamente da igreja católica, eu nunca entendia porque as freiras não podiam celebrar missas como os padres… E por mais que me explicassem não tinha jeito, eu não “engolia”. Aí, na juventude entrei para a igreja evangélica, que num primeiro momento parecia diferente… Parecia… Eu não vou me deter àquelas instituições que afirmam categoricamente que não aceitam mulheres pregando, ou ensinando (a não ser para crianças, ou outras mulheres), até porque não tenho nem o que dizer, uma vez que não cheguei a ser membro de uma igreja assim. Irei falar daquelas que se acham moderninhas e que possuem um discurso de igualdade de gênero.

 

Observando essas igrejas percebi que a lógica não era muito diferente, tendo seus trabalhos e ministérios muito bem divididos por gênero. As mulheres ou são líderes da oração, ou do ministério infantil, ou ainda do grupo de louvor; algumas conseguem ser diaconisas, outras pouquíssimas presbíteras e raramente conseguem ser reconhecidas como pastoras. Lembro-me de certa vez que chamaram o Geraldo para pregar em uma dessas igrejas, o pastor de pronto perguntou: “A Claudinha canta?” Não que eu não saiba cantar, até que me acho jeitosinha, mas recusei de imediato tal proposta percebendo no convite reminiscências do Clube do Bolinha eclesial! Tal pastor nunca me convidara para pregar… Em outra ocasião, quando eu dizia ser presbítera e dirigente de uma congregação (atualmente não sou mais dirigente), um senhor me perguntou: “Ahhh! Você é presbítera porque seu marido é pastor?” Fala sério? Contei até dez antes de responder tamanha incompreensão! Por acaso minha vocação teria que estar, necessariamente, atrelada à sombra de meu marido??? São as lógicas e ranços do Clube do Bolinha…

 

Nos seminários teológicos, não muda muita coisa. As mulheres quase nunca são diretoras e poucas são as professoras que geralmente ministram as aulas de produção textual, psicologia, missões e raramente ministram as disciplinas de teologia sistemática, teologia pastoral, história da teologia. Um dia desses fui à inauguração de um novo seminário teológico em Fortaleza, que tinha como propaganda renovar a discussão teológica, com uma proposta atual, crítica, e blá, blá, blá… Fiquei feliz em ver que à frente estavam duas pessoas reconhecidamente de vanguarda, com reflexões que contemplam as questões de gênero. Contudo, me surpreendi ao ver o núcleo gestor: só homens; e o corpo docente? Adivinhem? Não tinha nenhuma mulher!!! Se depender do grupo que eu vi naquela noite já sei que a tradição e a ortodoxia estarão muito bem representadas!

 

Na área da reflexão teológica, não é diferente. Curiosamente, durante meu curso de teologia eu nunca tive a indicação para que lesse um texto, ou livro escrito por mulheres; na teologia sistemática então nem pensar! Minhas aulas de teologia pastoral quando se referiam às mulheres era de como elas deveriam ser boas esposas. Na história da teologia não me lembro de nenhum nome feminino… E mesmo numa busca na internet é difícil achar um nome… E quando elas aparecem você percebe nitidamente a distinção entre os assuntos masculinos e os assuntos femininos. Homens falam sobre hermenêutica, filosofia, escatologia, eclesiologia, debatem sobre a ação de Deus, sobre a humanidade e divindade de Jesus, etc. As mulheres, por sua vez fazem devocionais, escrevem sobre educação infantil, oração, casamento, filhos, gênero…

 

Não falo isso depreciando, ou tentando hierarquizar algumas funções dentro da igreja, ou para diminuir o valor de certas disciplinas, ou assuntos… Apenas constato esse fato! Acredito que tudo é igualmente importante. Mas a questão é: e aquelas que sentem e desejam desempenhar a vocação pastoral? Que gostam de pregar? Aquelas que querem atuar na academia? Qual é o espaço concreto que existem para elas? Será que de fato meninas entram? Pois, do modo com que as mulheres foram retratadas até parece que elas não tiveram participação na história da igreja e na construção da reflexão teológica. Mas isso é um engano, pois algumas dessas mulheres conseguiram ultrapassar todas as barreiras existentes e produziram uma obra consistente, embora as igrejas e seminários, em sua grande maioria, ainda não reconheçam tais produções tornando-as invisíveis num primeiro olhar.

 

A teóloga Rosalee Velloso (professora de teologia e ética bíblica na Faculdade Teológica Sul Americana em Londrina) em uma entrevista para a revista Defesa da Fé relatou que apesar da resistência à presença da mulher no altar e das pouquíssimas mulheres com formação acadêmica em teologia, elas participaram ativamente da história da igreja e da reflexão teológica (lembrando que elas são exceção e não a regra), destacando principalmente na tradição católica grandes nomes como Teresa de Jesus e Catarina de Siena, durante a Idade Média, e outras como Catherine Mowry LaCugna e Elizabeth Johnson, no século XX; e na tradição protestante Elizabeth Barnes, Gabriele Greggersen e Carmen Pérez de Camargo. Contudo, ainda posso destacar:

 

  • Frida Vingren: missionária da Assembléia de Deus que desenvolveu atividades evangelísticas e abriu frentes de trabalho em muitos lugares no Rio de Janeiro. Possuía o dom de ensinar, trabalhava na obra social da igreja, bem como nos grupos de oração e de visitas. Na ausência do marido, era ela que o substituía pregando e dirigindo os trabalhos. Foi motivo de crítica por parte de alguns, mas nunca se intimidou sendo a dirigente oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e, pela facilidade que tinha para se expressar, pregava em todos os pontos de pregação da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, em praças e jardins. Os cultos ao ar livre promovidos no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central eram dirigidos por ela.

 

  • Ivone Gebara: doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Ela lecionou durante 17 anos no Instituto de Teologia do Recife, até sua dissolução, decretada pelo Vaticano, em 1989. Atualmente, vive e escreve em Camaragibe, Pernambuco. Percorre o Brasil e diferentes partes do mundo, ministrando cursos, proferindo palestras sobre hermenêutica feminista, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos do discurso religioso. Tem vários livros e artigos publicados em português, espanhol, francês e inglês, entre eles As Incômodas filhas de Eva na Igreja da América Latina e Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal.

 

  • Elma Georgia Harkness: teóloga de tradição metodista, uma das primeiras mulheres a ensinar teologia em um seminário, e se tornar uma figura de liderança no movimento ecumênico moderno, importante no movimento para obter a ordenação de mulheres no Metodismo Americano. Seus interesses teológicos eram em torno da influência da igreja ecumênica e escatologia, além de questionar a doutrina do pecado original, dizendo que “quanto mais cedo ela desaparecer, melhor será para a teologia.”.

 

  • Marcella María Althaus-Reid: teóloga escritora argentina, catedrática de Teologia Contextual e docente sênior de Teologia Sistemática e Ética Cristã da Escola de Teologia do New College, Universidade de Edimburgo. Foi a única mulher a lecionar Teologia numa universidade escocesa e a primeira mulher a ensinar Teologia no New College em seus 160 anos de história. Participou dos movimentos feministas e de LGBT. Suas áreas de interesses são: Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia Homossexual.

 

Alguns que estão lendo este texto podem estar pensando com seus botões: Onde ela quer chegar? Ser pastora? Ter um cargo? Dirigir um seminário? Revolucionar a teologia??? E antes que me perguntem, eu já respondo: NÃO! Não tenho (de verdade) pretensão nenhuma em galgar qualquer coisa que seja em uma instituição religiosa! Gosto do termo “teóloga leiga”! O que eu gostaria de ver mesmo era uma abertura concreta para as mulheres, pois o que eu vejo é um faz-de-conta bem orquestrado! Ordenação de mulheres a cada dez anos, só pra dizer que aceitam pastoras… Eventos organizados somente por homens que chamam uma, no máximo duas mulheres para ministrarem palestras também só pra dizer que estão atentos às questões de gênero… Até quando maquiaremos esta realidade? Até quando faremos perdurar esse machismo institucional, por vezes velado? Até quando não encararemos com sinceridade e seriedade as questões de gênero, com o devido respeito às mulheres?

 

São indagações que não calam…

 

Cláudia Sales

 

“Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”. (Virgínia Woolf)