dezembro 2009


Olá pessoas!!!!

Acho que ainda não compartilhei com você da minha paixão por histórias em quadrinhos! Sou uma eterna apaixonadas por este veículos de comunicação de massa… desde as histórias da Turma da Mônica (Maurício de Souza), Turma do Pererê (Ziraldo), Turma do Charlie Brown (Schulz) até qudrinhos mais adultos como Mafalda (Quino), Maus (Spiegelman – ganhador do Prêmio Pulitzer), Spirit (Eisner), Bone (Jeff Smith), entre outros. Sem deixar de lado, é claro, os super-herois!!!! Homem-aranha, Quarteto Fantastico, X-Men, Hulk, Homem de Ferro e o meu preferido SURFISTA PRATEADO!!!

Existe algo mágico nos super-heróis. Tirando aqueles que são perfeitos até demais (Super-homem, Capitão América, Ciclope), a grande maioria deles possuem as mesmas fragilidades que nós. Por exemplo, o Homem-Aranha é o jovem e inseguro Peter Park, Hulk é um cientista que não saber controlar o ‘monstro’ que existe dentro dele, Homem de Ferro é o maior fabricador de armas de fogo do mundo, Wolverine é um cara que só sabe resolver seus conflitos numa boa briga, e assim por diante. São heróis frágeis,  eles são como nós… cheios de altos e baixos.

Não apenas os personagens são facinantes, mas o enredo, quando bem elaborado, é capaz de nos arrebatar como toda boa literatura. Não foi a toa que Maus ganhou o Prêmio Pulitzer de literatura. Quro então compartilhar com vocês uma das minhas revistas favoritas, com meu personagem favorito o Surfista Prateado.

Entre 1988 e 1989, foi publicada uma edição especial do Surfista Prateado, escrita por Stan Lee e ilustrada por Jean Giraud Moebius, intitulada Parábola. Nela, Galactus, uma entidade cósmica conhecida como “o Devorador de Mundos”, vem à Terra para destruí-la e se alimentar da sua energia. Para isso, Galactus permite que as pessoas façam o que bem desejarem em seu nome para, assim, encontrarem a “salvação” – o plano é permitir que a humanidade se aniquile por meios próprios. Nesse ínterim, surge seu ex-arauto, o Surfista Prateado, questionando o direito de Galactus de atacar a Terra com um estratagema tão ardiloso.

A revista vale não apenas pelo seu roteiro recheado de diálogos filosóficos e porque não teológicos, mas também pela excelente ilustração do desenhista francês Moebius. Essa é uma das mais belas histórias em quadrinhos de super-heróis já criadas. Definitivamente, não é leitura apenas para crianças…

Segue abaixo um trecho da história e em seguida um link onde quem se interessar baixar a HQ; tentei colocar em anexo a revista completa mas não sei por quais motivos o e-mail sempre volta.

Embaixador 1: “Nós fomos visitados por dois seres do espaço. Um, tratado como um deus. O outro, para nossa perpétua vergonha, desprezado e condenado. Mas, finalmente, enxergamos a verdade. O surfista é o verdadeiro salvador das estrelas”.
Surfista: “Não! Nenhum homem pode ser colocado acima dos demais. A chama divina está em todos … ou em ninguém”.
Platéia: “Que humildade. A verdade essência da pureza. Só pode ser um santo. Você deve nos liderar! Oriente-nos. Seremos seus discípulos”.
Surfista (pensando): “Isto é loucura! Eles desejam um líder. Assim como uma criança espera o leite materno. É por isso que se tornam presas fáceis dos tiranos e déspotas. Por que eles não procuram a verdadeira fé em sim mesmos? Por que buscam outro que lhes mostre o caminho?”.

Baixe a revista por aqui: http://www.4shared.com/file/92406707/fcfb169b/Surfista_Prateado_-_Parbola.html?cau2=403tNull

Bjos e espero que se divirtam e gostem!

Claudinha

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Fiquei “matutando” nesta semana  – depois de ver tanta doidice gospel na net – sobre a identidade do movimento evangélico. Percebo a preocupação de muitos com esta questão: a identidade. Na Betesda mesmo, tenho escutado que estamos passando por uma “crise de identidade” e que temos que “reforçar as trincheiras” para a construção de uma “identidade sólida”! Pois bem, é sobre a identidade que eu quero conversar um pouco.

Relacionamos a identidade a tudo aquilo que somos – eu sou negra; eu sou flamenguista; eu sou casada – contudo esquecemos que quando afirmamos que somos algo, implicitamente também dizemos o que não somos – não sou branca; não sou botafoguense; não sou solteira. Por que é importante perceber isto? Porque toda vez que eu falo de identidade, tenho que falar de diferença.

Identidade e diferença estão interligados. São categorias do mundo cultural e social, sistemas simbólicos criados por nós e resultados de atos de criação linguistica, ou seja, pela fala, pela linguagem. Sem linguagem não existe identidade, nem diferença.

A linguagem por sua vez é formada por signos que não fazem sentido isoladamente, que não possuem valor absoluto e por isto é uma estrutura instável, frágil (Derrida). Posso dar um exemplo bem simples: quando eu digo MESA – junção de quatro letras (signos) – por mais que eu entenda o seu significado, o conceito nunca irá substituir o objeto ao qual ele se refere. A palavra MESA é uma espécie de marca, ou sinal que está no lugar do objeto mas nunca coincide com ele. Daí a fragilidade da linguagem e, por consequência, da identidade.

Além disto, identidade e diferença não são processos definidos aprioristicamente, são impostos; não convivem de modo harmônico, são disputados a fim de garantir o acesso aos bens sociais, aos benefícios e privilégios; estão ligados às relações de poder. Por intermédio da identidade e diferença eu me distinguo dos demais e assim posso dizer quem pertence e quem não pertence ao grupo, quem fica dentro e quem fica fora, classificamos (somos os melhores!) e normatizamos (processo este mais sutil do poder que tem a pretensa ideia de homogenealização).

Por isto, em vez de tentarmos fixar, estabilizar uma identidade para a Betesda (algo complicado ao meu ver pelos motivos já citados), pergunto-me se não seria possível subverter cada vez mais a identidade, desestabilizá-la, ou melhor desorganizá-la para possibilitar o questionamento dos sistemas que lhe dão suporte (sustentação), evitando assim o engessamento de nossas propostas e ideias, proporcionando espaços para a contestação do que tem se mostrado de modo hegemônico e naturalizado no contexto evangélico; evitando classificações, separações sejam ela de gênero, raça/etnia, a fim de produzir novas e renovadas (muitas) identidades, sem medo da diversidade.

O problema não está na busca de uma identidade, mas no risco (e tentação) de tentar estabilizá-la, naturalizá-la tornando-a instrumento de manipulação e segregação. Daí o nosso cuidado de permitir que esta permaneça sempre em movimento, dialogando com outras identidades, pemitindo ser sempre revisitada, questionada e reconfigurada.

Cláudia Sales